Governo Sombra

O programa de televisão da TVI24 «Governo Sombra» será transmitido em direto da Sertã, no próximo dia 25 de maio. read more…

2017 | A Anatomia do Presente e a Política do Futuro: Portugal a Europa e a Globalização

Padre Manuel Antunes, sj

Com organização e Introdução de José Eduardo Franco, Prefácio de José Farinha Nunes e Posfácio de António J. Trigueiros

Lisboa: Bertrand Editora, 2017

 

Do Prefácio de José Farinha Nunes:

“No tempo de grave incerteza em que vivemos, os textos de Manuel Antunes sobre Portugal, a Europa e a globalização constituem um excelente guia de reflexão para nos ajudar a compreender os grandes problemas e desafios que se nos apresentam na perigosa segunda década do século XXI que atravessamos.”

 

Da Introdução de José Eduardo Franco:

“Nos auspiciosos e utópicos anos 60 e 70 do século XX, Manuel Antunes emergiu como um intelectual da cidade e do mundo com um pensamento político e social inovador, prospetivo. Antunes era um hermeneuta fino do presente e um pensador político do futuro.

[…]

Neste quadro de transição política e de revolução de mentalidades, Manuel Antunes produziu um conjunto importante de reflexões, dispersas em artigos e em livros, sobre a situação política de Portugal na conjuntura europeia e mundial. Elencou problemas, analisou propostas e projetos reformistas, propôs soluções – mas, acima de tudo, apontou caminhos teóricos, hierarquizou valores e sugeriu orientações.

[…]

O P.e Manuel Antunes desenvolveu uma vasta reflexão multidisciplinar, desde a área dos estudos clássicos à das relações internacionais. No conjunto dos textos de análise dos modelos de relações internacionais, os países europeus e a questão europeia propriamente dita, posta em torno dos seus diferentes blocos e do projeto de construção da Comunidade Económica, que entretanto começava a ganhar dimensão, são temas a que Manuel Antunes dá especial atenção, e sobre os quais traça perspetivas e emite pareceres.

[…]

O que se torna patente e extraordinário nas análises perspicazes de Manuel Antunes é a sua capacidade de antecipar desfechos possíveis para problemas e de determinar derivas no quadro das relações internacionais e do significado futuro dos dinamismos internos dos diferentes países analisados. O caso mais notável desta capacidade de análise prospetiva foi a sua previsão, na década de 70, da desagregação da URSS como bloco político ainda antes do ano 2000.”

 

 

Do Posfácio de António J. Trigueiros:

“No dia 10 de junho de 1983, o P.e Manuel Antunes foi agraciado com a Comenda da Ordem Militar de S. Tiago de Espada, pelo serviço em prol da cultura e do ensino universitário. Por motivo de doença não pôde estar presente na cerimónia solene, mas o Presidente da República, o general Ramalho Eanes, fez-lhe saber que fazia questão em lhe colocar as insígnias pessoalmente, logo que a saúde permitisse a deslocação do P.e Antunes ao palácio de Belém. O seu precário estado de saúde não lhe permitiria, porém, deslocar-se a Belém; por isso, o Presidente da República dignou-se ir pessoalmente entregra-lhe as insígnias à residência da Brotéria. Assim, o último retrato que conhecemos do P.e Manuel Antunes foi tirado durante esse mês de junho na sala de leitura da biblioteca da Casa de Escritores da revista Brotéria, entre os retratos a óleo de antigos Jesuítas, onde podemos ver o homenageado, de aspeto frágil e debilitado, com o seu ar humilde e discreto, a receber o colar da Ordem de S. Tiago das mãos do general Ramalho Eanes.”

2011 | Um Pedagogo da Democracia: Retratos e Memórias sobre o Padre Manuel Antunes, sj

José Eduardo Franco (coord.)

Prefácio de Manuel José do Carmo Ferreira

Lisboa: Gradiva, 2011

 

Do texto de Apresentação, por José Eduardo Franco:

“Há um reconhecimento surpreendentemente unânime em afirmar que Manuel Antunes marcou indelevelmente várias gerações de alunos da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa na segunda metade do século XX. Podemos mesmo afirmar que se construiu aquilo que podemos chamar uma escola de admiração em torno da figura de Manuel Antunes por parte dos alunos e de muita gente que, de diferentes modos, conheceram e conviveram com este Professor de Letras e Padre Jesuíta.

 

Dois grandes palcos deram visibilidade ao seu extraordinário talento intelectual e grandeza humana: a Casa de Escritores dos Jesuítas, como redactor e director da Brotéria, e as salas de aula da Faculdade de Letras, nomeadamente o Anfiteatro I, onde regeu, entre outras, a célebre cadeira de História da Cultura Clássica.

 

A sua cultura vastíssima, a sua forma peculiar de ensinar e cativar os alunos pelo poder avassalador do seu saber, o seu exemplo pessoal, o seu modo de acolher, de conversar, de disponibilizar-se, de ouvir, a sua palavra fina e assertiva, a sua forma de pensar e de sintetizar um pensamento acutilante, prospectivo e lúcido sobre o passado, presente e o futuro, a sua direcção e intervenção cultural à frente da Revista Brotéria, o seu empenho pela renovação da Igreja e da Companhia de Jesus, a sua resistência discreta mas proactiva contra o regime ditatorial, a sua capacidade de abertura e diálogo ecuménico em relação ao outro, ao que pensava de maneira diferente, fizeram de Manuel Antunes um mestre da palavra sábia e da vida digna.

 

A extraordinária produção escrita, primeiramente dispersa em artigos publicados principalmente no órgão por excelência de cultura dirigido pelos Jesuítas, a Revista Brotéria, acompanhada por décadas de magistério exigente na Faculdade de Letras como professor e na orientação espiritual como padre, foram fecundas de linguagem nova, da criação de uma mundividência esclarecida à luz de valores e critérios humanistas e cristãos cimentados numa reflexão que dialogava com as grandes correntes do pensamento e a tornava interrogadora de modelos estáticos e rasgava, de facto, horizontes novos de compreensão do homem e do cosmos.

 

Todos aqueles que tiveram o privilégio de conhecer e conviver com este homem especial, testemunham a importância fecundante do seu ensino, da sua palavra para a formação de um pensamento crítico, de uma visão profunda da cultura, de uma forma qualificada de ensinar e de estar na vida.

 

Este livro que aqui se publica acaba por constituir uma espécie de caixa de ressonância de memórias, de testemunhos, de depoimentos, de fragmentos, de retratos e de retalhos, uns depositados por escrito sobre diferentes formas e registos, outros, a maioria, recolhidos expressamente para este livro.

 

A preparação desta obra começou mais exactamente no ano de 2005, no contexto da homenagem nacional realizada a Manuel Antunes que promovemos com uma equipa vasta de conterrâneos, admiradores, conhecedores e jovens reunidos sob os auspícios da Casa da Comarca da Sertã e da Câmara da Sertã e que teve o decisivo apoio da Fundação Calouste Gulbenkian. Assinalando os 20 anos da Morte de Manuel Antunes, não se quis deixar submergir pelo olvido a memória deste homem invulgar e a sua inspiradora obra. Neste ano multiplicaram-se várias iniciativas que culminaram com um grande congresso internacional na Fundação Calouste Gulbenkian subordinado ao tema geral Padre Manuel Antunes (1918-1985): Interfaces da Cultura Portuguesa e Europeia, e a inauguração da edição dos primeiros dois volumes dos catorze da obra completa deste pensador que muitos consideram um dos maiores do século XX português.

 

No decorrer daquele ano, em que tivemos a oportunidade de contactar com diversas alunos e amigos do Padre Manuel Antunes, começámos a colher e a reunir, muitos deles sob a forma de entrevistas (umas feitas por nós outras pelo jornalista Manuel Vilas Boas para a TSF, a quem muito agradecemos), depoimentos, memórias e também textos já escritos sobre aquele homem de quem todos diziam ter influenciado de forma especial a vida de muitos.

 

Esta obra é, pois, uma obra testemunhal escrita, na sua maior parte, na primeira pessoa daqueles que aceitaram recordar os traços, os tempos, os factos, os dramas, os sucessos, as expectativas de tempos grávidos de mudança e de transformação vertiginosa tanto em Portugal e como numa Europa marcada por grandes expectativas. Mas esta obra além de por em evidência a excepcionalidade de um pensador e de um pedagogo que teve um papel relevante ao serviço da construção de uma sociedade mais democrática e livre em Portugal, acaba por funcionar como um revelador jogo de espelhos, onde na relação com a figura central e protagonista da obra permite aceder ao conhecimento de factos, acontecimentos, pormenores pertinentes, e mesmo algumas revelações em torno da história da segunda metade do século passado. Este aspecto torna esta obra estimulante e interessante para quem quer estudar e conhecer os enlaces e desenlaces da política, da mudança de regimes, das reformas pedagógicas, das transformações da cultura e da religião.

 

2008 | Padre Manuel Antunes, sj (1918-1985): Um Mestre do Pensamento Português e Europeu

Luís Machado de Abreu e José Eduardo Franco

Porto: Estratégias Criativas, 2008

 

“Manuel Antunes é considerado um dos mais distintos pensadores portugueses do século XX. O legado da sua vida e da sua obra são aqui apresentados de uma forma sistemática, sumariando a sua actividade pedagógica, literária e filosófica.

 

Foi como mestre na arte de ensinar que Manuel Antunes mais se viria a notabilizar. Como professor demonstrou uma competência e um saber verdadeiramente invulgares reconhecidos por alunos e por condiscípulos. Viveu e promoveu uma cultura de verdadeira tolerância em relação ao novo e ao diferente.

 

Director da revista Brotéria, entre 1965 e 1982, imprime a esta uma nova dinâmica interdisciplinar e uma abertura ideológica plural a quadrantes da sociedade portuguesa que destoavam do ideário do pensamento único em vigor oficialmente.

 

O percurso intelectual e cívico de Manuel Antunes constituem uma referência cultural que a sociedade portuguesa não pode perder de vista se quiser manter a sua identidade e vencer a batalha do futuro.”

2007 | Padre Manuel Antunes (1918-1985): Interfaces da Cultura Portuguesa e Europeia

José Eduardo Franco e Hermínio Rico (coord.)

Prefácio de Eduardo Lourenço

Porto: Campo das Letras, 2007

 

“O Padre Manuel Antunes (1918-1985) foi um mestre excepcional, que marcou para a vida toda milhares de estudantes que, ao longo de mais de um quarto de século, passaram pela Faculdade de Letras de Lisboa. A sua memória continua viva e a iluminar o caminho de quantos o conheceram, ouviram e leram.

 

Nos tempos difíceis que a sociedade atravessa parece de elementar bom senso o regresso ao silêncio criador em que se possam escutar palavras de sabedoria que nos ajudem a redescobrir os valores fundamentais e a Repensar Portugal. Neste contexto, a actualidade de Manuel Antunes, em vez de nos fixar no passado irremediavelmente desaparecido, deve reconfortar a nossa vontade de futuro, apetrechando-a com o sentido das coisas essenciais tão facilmente corroído pelo acessório e pela sedução do superficial.

 

De entre os créditos associados à memória do mestre notável, contam-se o perfil de humanista, a escuta atenta dos sinais dos tempos, a disponibilidade para ouvir o outro e compreender as diferenças, a procura do essencial na floresta do efémero, o espírito de tolerância, a opção pelo que aproxima e une em vez do que pode afastar e dividir, o gosto do universal cultivado no conhecimento do singular, a arte da síntese que não despreza a paciência da análise nem o enraizamento concreto, a consciência de cidadania vivida com responsabilidade e vigilância. Estes são alguns dos muitos traços que fazem do percurso intelectual e cívico de Manuel Antunes uma referência de cultura que a sociedade portuguesa não pode perder de vista se quiser manter a sua identidade e vencer a batalha do futuro.”

 

Autores: Aires A. Nascimento, Alfredo Dinis, António Ramalho Eanes, Arnaldo do Espírito Santo, Carlos Santos Pereira, Edgar Morin, Eduardo Marçal Grilo, Elísio Gala, Guilherme d’Oliveira Martins, Guy Coq, Helena Langrouva, Hermínio Rico, Isabel Carmelo Rosa Renaud, Jaime Gama, João Bénard da Costa, João Minhoto Marques, João Resina Rodrigues, Joaquim Cerqueira Gonçalves, Joaquim Coelho Rosa, José A. Ferrer Benimeli, José Augusto Mourão, José Augusto M. Ramos, José Barata-Moura, José Eduardo Franco, José Gama, José Medeiros Ferreira, José Pacheco Pereira, José Pedro Serra, Lucian Boia, Luís Archer, Luís Filipe Barreto, Luís Machado de Abreu, Manuel J. do Carmo Ferreira, Manuel Clemente, Manuel Ferreira Patrício, Maria Adelaide Canas, Maria Delfi na da Silva Barata, Maria de Fátima Meneses, Helena Carvalhão Buescu, Maria Helena da Rocha Pereira, Maria de Sousa Pereira Coutinho, Maria Vitalina Leal de Matos, Mendo Castro Henriques, Michel Renaud, Miguel Real, Nuno da Silva Gonçalves, Onésimo Teotónio Almeida, Paulo Farinha, Peter Stilwell, Philippe Boutry, Raul Miguel Rosado Fernandes, Tomás Machado Lima, Vasco Graça Moura, Vítor Serrão.