Theoria: Cultura e Civilização | Anexos/Sebentas

Da Introdução, por Arnaldo do Espírito Santo:

“Para o Padre Manuel Antunes o estudo da Cultura Clássica vale enquanto meio de se conhecer a si mesmo e às civilizações do Homem, nas suas raízes. Há frases que impressionaram de tal modo os estenógrafos dos apontamentos das aulas que, na diversidade generalizada da apreensão da matéria exposta e da consequente formulação, de ano para ano se mantiveram literalmente iguais. É esse o caso da expressão «concepções do mundo e da vida», com que se define o conceito de civilização. É nesta Sebenta que encontramos pela primeira vez esta expressão, a qual se repete doze vezes sob esta forma ou na equivalente «visão do mundo e da vida», como que a pautar em síntese o essencial do pensamento do Padre Manuel Antunes sobre o ensino da Cultura Clássica, que se manifesta da primeira à última sebenta conhecida. Mediante o registo escrito das suas aulas, transmitiu-se de ano para ano e ficou claramente gravado na mente dos seus alunos que ‘A História da Cultura Clássica é a história das concepções do mundo e da vida através das histórias parciais da literatura, da filosofia, na Grécia e Roma durante cerca de quinze séculos’ e que ‘a Cultura pertence às concepções do mundo e da vida ensinadas ou expressas na filosofia, na arte, na literatura, na religião, nas reflexões sobre as ciências e as técnicas, as invenções’ ou, ainda, que ‘Por História da Cultura entendo a história das concepções do mundo e da vida expressas ou encarnadas na literatura, na arte, na filosofia, na religião, no direito, na política e na ciência’ e que ‘O Renascimento dos séculos XV e XVI, no fervor de regressar às concepções do pensamento e às formas da arte da Grécia e de Roma, exalta os seus filósofos, escritores e artistas como os únicos verdadeiros clássicos.’” (pp. 6-7)