Paideia: Educação e Sociedade

Da Introdução, por José Eduardo Franco:

“Bem à maneira clássica, Manuel Antunes pensa a questão da educação na sua relação intrínseca com a cultura e a sociedade. Pretende estabelecer as balizas de uma autêntica Paideia, em que o projecto educativo pressuponha um projecto de cultura, um projecto de homem e de sociedade a construir. Considera altamente deficitários e até perigosos os projectos de educação como mera instrução, que apenas visem a transmissão de uma technê. O que importa garantir é a concepção de um plano de formação/construção global da pessoa humana, que o autor da Paideia grega, Werner Jaeger, traduz pelo conceito de Bildung, claro está, no quadro de uma ‘cultura’, entendida, à maneira grega, como ‘a totalidade da (…) obra criadora’ de um povo. Neste sentido, o Padre Manuel Antunes declarou numa espécie de manifesto fundante daquilo que entendia ser o horizonte de exigência e meta de um projecto educativo global: ‘Uma educação ou é total ou simplesmente não é. Uma educação ou tem em conta todas as aspirações do homem ou não passa de um logro. Pretender construir uma ‘ciência’ da educação sem que nela influa, para nada, nem a moral nem a metafísica é edificar sobre a areia. É o todo do homem que está em causa e não apenas a inteligência. E esse todo, como diz Blondel, joga-se na acção que é o centro da vida’”. (p. 8)