Biografia Ilustrada

Do cap. “Sentinela da Cidadania”:

“Por mais espontânea e original que pareça a vontade de participação na vida da cidade, nunca se pode ignorar o papel formativo dos próprios acontecimentos e situações nem a importância do contributo teórico recebido do magistério directo ou apenas difuso de escolas, movimentos e doutrinadores.

Assim sucede com Manuel Antunes. A solicitude pela coisa pública de que Repensar Portugal (1979) nos dá a mais clara e densa expressão resolve-se 29em objectivos programáticos que a experiência, o bom senso e o estudo foram definindo com o andar do tempo.

Convergem em Manuel Antunes águas de muitas fontes. Se fizermos o inventário das referências que inspiram as linhas de fundo do seu projecto para Portugal, encontramos ecos das perspectivas analíticas e das propostas de mudança bebidas na lição ‘dos três homens que, entretanto, melhor nos conheceram: Alexandre Herculano, Antero de Quental e António Sérgio.’ É nessa herança intelectual de apelo à reforma das mentalidades que se inscreve o seu exercício de reflexão sobre as prementes necessidades económicas, sociais , políticas e culturais do país. Faz delas uma leitura em certa medida convergente com as dos homens da Seara Nova. A sergiana reforma da mentalidade, retomada e dinamizada como ‘reforma moral’, é ainda o leitmotiv que norteia o rumo certo para Portugal.

Foram muitas as circunstâncias em que a cidadania activa de Manuel Antunes teve oportunidade de se exercer, sempre ao serviço de causas nacionais, através da prestação de contributos consentâneos com as reconhecidas capacidades de reflexão e a condição de religioso jesuíta.” (pp. 125-126)